Nìjar, Província de Almeria, Espanha
A história inicia-se na localidade de Campohermoso, município de Níjar, Almeria, Espanha. Meu bisavô, José Maria Del Corazon de Jesús García Rodriguez, nascido em 22 de maio de 1865, filho de Ramon García Marquez e Catalina Rodriguez García, casa-se, no dia 23 de setembro de 1889, com Maria Carmen Ortiz López nascida em 1868 filha de Pedro José Ortiz Sanchez e Izabel Lópes Ferre.
Imigraram pela primeira vez ao Brasil, embarcando em Málaga, Espanha, e chegando ao Porto de Santos, em 16 de Julho de 1905, a bordo do vapor Juan Forgas. A família era composta por José Maria Del Corazon de Jesús García Rodriguez, 39 anos, Maria Carmen Ortiz López, 36 anos, e dos filhos José Ramon Justo García Ortiz, 12 anos, meu avô, e Ramon Antonio García Ortiz, 4 anos. De Santos, eles foram para a atual cidade de São Manuel, na época um vilarejo São Manuel do Paraíso, trabalhar na fazenda de José A. Prado.
Em 1912 a família retornou ao local de saída, Campohermoso, Níjar na Espanha, Maria Carmen Ortiz López, estaria com "barriga dágua" (Câncer) e quis morrer em sua terra natal, e também para vendas das terras que tinham na cidade, e, em 01 de outubro de 1913, no vapor Francesca, Maria Carmen Ortiz Lópes retornou ao Brasil com os filhos Ramon, 12 anos, e Pedro García Ortiz, 7 anos, nascido na Espanha. Carmen trouxe, também, Francisca Gimenez Asencio, 20 anos constando na lista de embarque como sua nora, Francisca, 1 ano registrada como neta e os sobrinhos Juan Torres Rosa, 17 anos, e Maria Torres Rosa, 13 anos. Seguiram novamente para São Manuel, dessa vez para a fazenda de Domingos Pereira Carvalho.
José Mª Del Corazon de Jesús Garcia Rodriguez, por sua vez, retornou em 24 de outubro de 1913, no vapor Columbia, trazendo consigo seu filho Manuel, 3 anos, nascido na Espanha, seguindo então para São Manuel, para a fazenda onde se encontrava sua família.
Nada consta, nos registros dos vapores que trouxeram a família de volta ao Brasil, sobre o retorno do meu avô, José Ramon Justo García Ortiz, que, segundo informações de familiares, teria retornado da Espanha na mesma época, casado com minha avó, Rosario Antonia Ramos Lafuente (ver publicação neste blog "Família Ramos Lafuente), com documentos de parentes, a fim de fugir de convocação para forças de pacificação e manutenção do território de Marrocos que na época demanda por parte da Espanha de um esforço econômico e humano, que consumia a maioria dos jovens na idade de prestar serviço nas forças armadas
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Analisando as listas de desembarque dos vapores verificamos que constam alguns nomes e parentescos estranhos, como Francisca Gimenez Ascencio, com 20 anos, idade, na época aproximada da minha avó Rosaria Ramos Lafuente, Francisca, uma neta, com 1 ano, idade aproximada da minha tia Carmen, que nasceu em 1912 e Juan Torres Rosa, que poderia ser meu avô, José Ramon Justo García Ortiz, então com 20 anos.
Chego a essa conclusão em decorrência dos meus bisavós terem como filho com idade para casamento somente meu avô, José Ramon Justo García Ortiz.
Passado seis meses da chegada ao Brasil, minha bisavó, Mª Carmen Ortiz López, falece no dia 03 de abril de 1914 e é enterrada no cemitério Municipal de Jahú “Ana Rosa de Paula”.
A foto abaixo traz meus bisavós, José Mª Del Corazon de Jesús García Rodrigues e Mª Carmen Ortiz López, e, partindo da direita para esquerda, meu avô, José García Ortiz, Ramon Antônio García Ortiz com a roupa de toureiro, no colo Pedro García Ortiz e, na barriga da minha bisavó, Manuel García Ortiz. Da menina não se tem uma identificação precisa, porém, é provável que seja a sobrinha do casal, Maria Torres Rosa, de 13 anos, que veio junto com eles para o Brasil, na segunda imigração, ou a sobrinha Maria Garcia Casquel.
Com a morte do patriarca, os filhos migram de Jahú, buscando novos lugares para viver e trabalhar.
Ramon Antonio García Ortiz, que havia se casado com Aracelis Fernandez Gordilho, em Jahú, em 21 de janeiro de 1922, com sua mulher e seus filhos Ramon (ou Romão), João, Aracelis ( Celita), Maria do Carmo ( Mariquita), José e Carmen, estes hoje todos falecidos, e Gentil*, Dirce e Inês, vivos, partem para Londrina em julho de 1934. Lá, ajudaram a colonizar a região. Aracelis faleceu em 1980 e Ramon em 1986, e foram enterrados em Londrina.
Manuel García Ortiz foi para Marialva, PR, em data não conhecida, casado com Manuela [sobrenome desconhecido], e teve os filhos Carmen (Falecida), Antônia (Rondônia), Valter (Falecido), Cinira e Claudio (Rolândia) e Nelson (Marialva).
Pedro García Ortiz, casado com Antonina ( sobrenome desconhecido) migrou para São Caetano do Sul, SP, e teve os filhos Pedro, José e Agostinho, todos mortos atualmente.
José Romon Justo García Ortiz, casado com Rosario Antonia Ramos Lafuente migrou para Sorocaba com os filhos Carmen, Salvador ( meu pai), José, Izabel, Manuel, Dolores, Ramon e Rosália (Rosa), todos atualmente falecidos.
Esses antepassados compõem parte da história do meu lado espanhol, falta agora os Ramos Lafuente, que é o lado da minha avó paterna e a junção das famílias Ronzani e Garcia, responsáveis pelo nosso modo anarquista e oposicionista
* Falecido em 07/12/2018






