domingo, 16 de agosto de 2015

FAMÍLIA GARCIA ORTIZ





Nìjar, Província de Almeria, Espanha


A história inicia-se na localidade de Campohermoso, município de Níjar, Almeria, Espanha. Meu bisavô, José Maria Del Corazon de Jesús García Rodriguez, nascido em 22 de maio de 1865, filho de Ramon García Marquez e Catalina Rodriguez García, casa-se, no dia 23 de setembro de 1889, com Maria Carmen Ortiz López nascida em 1868 filha de Pedro José Ortiz Sanchez e Izabel Lópes Ferre.

Imigraram pela primeira vez ao Brasil, embarcando em Málaga, Espanha, e chegando ao Porto de Santos, em 16 de Julho de 1905, a bordo do vapor Juan Forgas. A família era composta por José Maria Del Corazon de Jesús García Rodriguez, 39 anos, Maria Carmen Ortiz López, 36 anos, e dos filhos José Ramon Justo García Ortiz, 12 anos, meu avô, e Ramon Antonio García Ortiz, 4 anos. De Santos, eles foram para a atual cidade de São Manuel, na época um vilarejo São Manuel do Paraíso, trabalhar na fazenda de José A. Prado.

Em 1912 a família retornou ao local de saída, Campohermoso, Níjar na Espanha, Maria Carmen Ortiz López, estaria com "barriga dágua" (Câncer) e quis morrer em sua terra natal, e também para vendas das terras que tinham na cidade, e, em 01 de outubro de 1913, no vapor Francesca, Maria Carmen Ortiz Lópes retornou ao Brasil com os filhos Ramon, 12 anos, e Pedro García Ortiz, 7 anos, nascido na Espanha. Carmen trouxe, também, Francisca Gimenez Asencio, 20 anos constando na lista de embarque como sua nora, Francisca, 1 ano  registrada como neta e os sobrinhos Juan Torres Rosa, 17 anos, e Maria Torres Rosa, 13 anos. Seguiram novamente para São Manuel, dessa vez para a fazenda de Domingos Pereira Carvalho.

José Mª Del Corazon de Jesús Garcia Rodriguez, por sua vez, retornou em 24 de outubro de 1913, no vapor Columbia, trazendo consigo seu filho Manuel, 3 anos, nascido na Espanha, seguindo então para São Manuel, para a fazenda onde se encontrava sua família.

Nada consta, nos registros dos vapores que trouxeram a família de volta ao Brasil, sobre o retorno do meu avô, José Ramon Justo García Ortiz, que, segundo informações de familiares, teria retornado da Espanha na mesma época, casado com minha avó, Rosario Antonia Ramos Lafuente (ver publicação neste blog "Família Ramos Lafuente), com documentos de parentes, a fim de fugir de convocação para forças de pacificação e manutenção do território de Marrocos que na época demanda por parte da Espanha de um esforço econômico e humano, que consumia a maioria dos jovens na idade de prestar serviço nas forças armadas
.
Analisando as listas de desembarque dos vapores verificamos que constam alguns nomes e parentescos estranhos, como Francisca Gimenez Ascencio, com 20 anos, idade, na época aproximada da minha avó Rosaria Ramos Lafuente, Francisca, uma neta, com 1 ano, idade aproximada da minha tia Carmen, que nasceu em 1912  e Juan Torres Rosa, que poderia ser meu avô, José Ramon Justo García Ortiz, então com 20 anos.

Chego a essa conclusão em decorrência dos meus bisavós terem como filho com idade para casamento somente meu avô, José Ramon Justo García Ortiz.

Passado seis meses da chegada ao Brasil, minha bisavó, Mª Carmen Ortiz López, falece no dia 03 de abril de 1914 e é enterrada no cemitério Municipal de Jahú “Ana Rosa de Paula”.

A foto abaixo traz meus bisavós, José Mª Del Corazon de Jesús García Rodrigues e Mª Carmen Ortiz López, e, partindo da direita para esquerda, meu avô, José García Ortiz, Ramon Antônio García Ortiz com a roupa de toureiro, no colo Pedro García Ortiz e, na barriga da minha bisavó, Manuel García Ortiz. Da menina não se tem uma identificação precisa, porém, é provável que seja a sobrinha do casal, Maria Torres Rosa, de 13 anos, que veio junto com eles para o Brasil, na segunda imigração, ou a sobrinha Maria Garcia Casquel.


                                   

Com a morte de Mª Carmen Ortiz López, José Mª Del Corazon de Jesús García Rodriguez se casa com Theodora Centeno García,em 16 de Junho de 1917, com seu falecimento em 23 de abril de 1931, em São Manuel, teve seu testamento lavrado e assinado em 27 de maio de 1931, por Theodora e os filhos de José Mª Del Corazon de Jesús García Rodriguez, um documento em que ela abre mão de todos os bens para os filhos do marido falecido, Theodora veio falecer em 24 de outubro de 1934, em São Manuel

Com a morte do  patriarca, os filhos migram de Jahú, buscando novos lugares para viver e trabalhar.

Ramon Antonio García Ortiz, que havia se casado com Aracelis Fernandez Gordilho, em Jahú, em 21 de janeiro de 1922, com sua mulher e seus filhos Ramon (ou Romão), João, Aracelis ( Celita), Maria do Carmo ( Mariquita), José e Carmen, estes hoje todos falecidos, e Gentil*, Dirce e Inês, vivos, partem para Londrina em julho de 1934. Lá, ajudaram a colonizar a região. Aracelis faleceu em 1980 e Ramon em 1986, e foram enterrados em Londrina.

Manuel García Ortiz foi para Marialva, PR, em data não conhecida, casado com Manuela  [sobrenome desconhecido], e teve os filhos Carmen (Falecida), Antônia (Rondônia), Valter (Falecido), Cinira e Claudio (Rolândia) e Nelson (Marialva).

Pedro García Ortiz, casado com Antonina ( sobrenome desconhecido) migrou para São Caetano do Sul, SP, e teve os filhos Pedro, José e Agostinho, todos mortos atualmente.

José Romon Justo García Ortiz, casado com Rosario Antonia Ramos Lafuente migrou para Sorocaba com os filhos Carmen, Salvador ( meu pai), José, Izabel, Manuel, Dolores, Ramon e Rosália (Rosa), todos atualmente falecidos.


Esses antepassados compõem parte da história do meu lado espanhol, falta agora os Ramos Lafuente, que é o lado da minha avó paterna e a junção das famílias Ronzani e Garcia, responsáveis pelo nosso modo anarquista e oposicionista
* Falecido em 07/12/2018

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

COMEÇO DA SAGA DOS RONZANI





Carrè, Província de Vicenza, Itália


A Europa, na segunda metade do século XIX, passava por uma grande recessão. Faltava emprego e terras para cultivar, e o Brasil e a Argentina eram vistos como terra nova, repleta de oportunidades.

Isso incentivava os italianos e eles abandonavam tudo para viver o sonho Farò l'America. Se por um lado a Itália tinha muitas pessoas querendo buscar trabalho, no Brasil e Argentina necessitava-se de mão-de-obra.

No Brasil, após a Abolição da Escravatura (1888), os agricultores optaram pela mão-de-obra de origem europeia, ao invés de integrarem os ex-escravos ao mercado de trabalho.

O próprio governo brasileiro fez campanha na Itália para atrair esses italianos para o trabalho na lavoura do país. Em 1888, meus bisnonni Bartolomeo Ronzani e Dorotea Sartori, mais seus filhos Antenore Lino Segalla  e Pietro Serafino Segalla  do primeiro casamento com Pietro Segalla, e meu nonno Bartolo Ronzani, com então 16 anos, partiram de Carrè, região de Vicenza, Itália, e iniciaram sua viagem indo para Genova, onde embarcaram no Vapor Umberto I para Argentina, terra desconhecida para eles.




Porto de Génova, Itália, 1890

Após 20 dias de sofrimento, aportaram no porto de Rosário, cidade de Santa Fé, Argentina, no dia 11 de junho de 1888, saindo de Rosário, foram morar em uma comunidade rural chamada Villa Casilda, Santa Fé, Argentina. Bartolomeo e Bartolo, dados ao ofício de ferreiro, fabricavam equipamentos para a agricultura, fornos para fogão a lenha e ferraduras.



Iglesia San Pedro - Casilda - Argentina

Enquanto isso, em 1897, na Itália, em Génova, minha nonna Anna Maria Teresa Ruffinelli, com 16 anos, órfã dos pais Filippo Ruffinelli e Giuseppina Tordella, imigrava junto com seu irmão Juan para Casilda, onde já se encontrava seu irmão mais velho, Antônio Ruffinelli, que era um dos colonizadores do vilarejo, aqui temos uma controvérsia, pois examinando o registro de nascimento de Ernesto Ronzani, nascido em Casilda, filho de Anna Maria Teresa, vemos como madrinha Josefina Curdela (Giuseppina Tordella) que pela idade pode ser a mãe de Anna Teresa Rufinelli Ronzani e e Antonio Segalla (Antenore Segalla), o normal seria que o padrinho fosse Filippo Rufinelli, com base nestes fatos podemos concluir Anna Teresa imigrou com a mãe após o falecimento de Filippo na Italia.

Em Casilda, Anna Maria Teresa conhece Bartolo e em 1901, na igreja de San Pedro casa-se com ele, deste casamento nasceram em Casilda, Argentina os filhos Bartolo Gusman, Ricardo Juan, Adelina,  Maria Josepha, Ernesto, Rinaldo Américo e Agustina (Augusta) e em Sorocaba, Brasil os filhos Elmo, Alvaro e Irma.
Por registros do cemitério San Salvador, de Casilda, sabemos que em 10/09/1916 faleceu minha bisavó Dorotea, acredito que meu bisavô tenha falecido antes e também tenha sido sepultado no mesmo cemitério, porém, não temos o registro.

                                            Bartolo e Anna, 50 anos de casamento


                                                                                     
Infelizmente, o sonho não poderia ser perfeito e, por problemas familiares, meus nonos, filhos e Antenore Lino Segalla e Pietro Sartori tiveram que abandonar a Argentina e tentar a sorte em outro lugar,

Então, em 1917, a bordo do Vapor Drina, partiram com destino ao Brasil, viagem esta na qual o medo pelo desconhecido foi suplantado pelo medo de serem afundados por um submarino alemão, que, a partir da saída da baia do rio da Prata, passou a seguir o vapor que tinha bandeira inglesa. 

A família chegou a salvo no porto de Santos no dia 06 de fevereiro de 1917, quanto ao Vapor Drina, este partiu de Santos e foi torpedeado a meia noite ao largo Milford Haven, pelo submarino alemão U-65, naufragando em águas internacionais.

                                                                       

Vapor Drina


Não sabemos se foi indicação ou se foram contratados no porto, mas a família Ronzani seguiu para Santa Cruz do Rio Pardo, para trabalhar na fazenda do Dr. Francisco Sodré (pai do ex governador SP, Abreu Sodré).

Nesta fazenda ficaram por alguns anos, meu nonno prestando serviços de ferreiro, minha nonna como costureira da família, minha tia Maria como babá, e meus tios como agricultores. 

Meu tio Bartolo partiu, então, para procurar novas oportunidades e veio trabalhar em Sorocaba na antiga fabrica de tecidos CIANE ( Companhia Nacional de Estamparia), com este novo emprego, em 1919, trouxe a família para esta cidade.

Com relação a Pietro Sartori nada se sabe, e nunca ouvi comentários da família sobre ele, já Antenore Lino Segalla minha mãe comentava que morreu no Asilo São Vicente de Paula em Sorocaba que ele foi casado e tinha um filho, porém, não tenho nenhuma informação a respeito