quinta-feira, 10 de março de 2016

FAMÍLIA RAMOS LAFUENTE


Colomera (Ninho das  Pombas)

Colomera é um município da Espanha na província de Granada, comunidade autônoma da Andaluzia, uma vila que não se tem informações de quando surgiu, pois sua historia remonta a época das invasões romanas e dos visigodos pois está na “Ruta del Califato” caminho este que ligava a costa ao interior do país.

Colomera tem uma economia totalmente agrícola e latifundiária, onde poucos eram os proprietários de terra e o restante da população prestadora de serviço nas lavouras, hoje ela conta com uma população de 1588 habitantes.

Como toda a Europa, a Espanha enfrentava no final do seculo 18, uma recessão e um desemprego que atingia todas as regiões, como dizia minha avó “Eran tiempos en que los españoles, huyendo de la pobreza, se desperdigaban por el mundo”*

Meus bisavós Salvador Ramos Muñoz e Salvadora Lafuente Herrera ( foto abaixo), motivados pelas propagandas do governo brasileiro de vida abundante e do custeio das passagens pelos fazendeiros brasileiros, decidiram tentar a sorte no Brasil, trazendo consigo seus filhos, Rosário Antônia Ramos Lafuente com 15 anos,  Evangelina Ramos Lafuente, 11 anos, Antonio Ramos Lafuente com 9 anos e Maria de Las Dolores Ramos Lafuente com 2 anos.



Partiram de Colomera pelo porto de Almeria em 11 de maio de 1908, deixando lá seus pais, José Ramos Romero e Dolores Muñoz Fernandez e  Salvador Lafuente Rodriguez, Encarnacion Herrera Milena, com a certeza que aqui no Brasil ganhariam dinheiro suficiente para um dia retornarem a Espanha ricos.

Chegaram ao Brasil, no porto de Santos, a bordo do vapor Los Alpes em 01 de junho de 1908, após o registro na casa do imigrante, seguiram para as terras do fazendeiro Antonio José Leite, em São Manuel, São Paulo, ( Fazenda Sto Antônio dos Machados)

Em torno do ano de 1911 minha avó Rosário Antônia Ramos Lafuente casou-se com meu avô José Ramon Justo Garcia Ortiz( foto abaixo), e em 1912 em conjunto com a família do meu avô retornaram para a Espanha, pois era vontade da mãe dele, que estava com câncer, morrer na sua pátria e também para vender as poucas terras que tinham em Campohermoso, porém, retornaram em 1913 fugindo da convocação para guerra (Fato descrito neste blog na historia da Família Garcia)


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O restante da família da minha avó, meus bisavós Salvador e Salvadora e seus filhos em torno de 1913, por motivos ignorados, decidiram retornar a Espanha e em outubro de 1921, a bordo do vapor Montevidéu partiram novamente do porto de Malaga, Espanha com destino a Cuba, onde desembarcaram em novembro de 1921 no porto de Havana, para tentar a sorte desta vez em Cuba.

Desta feita a família já estava maior, tendo agora alem dos filhos Maria de Las Dolores, Adelina e Antônio, os filhos Salvador 10 anos, Encarnación 9 anos, Miguel 5 anos e Esperanza 4 anos


Destes novos filhos pelas datas de nascimento Salvador e Carmen que eram gêmeos nasceram no Brasil, Miguel, Encarnación e Evangelina nasceram na Espanha depois do retorno do Brasil


Infelizmente não foram felizes pois chegaram em Cuba no fim do ciclo do açúcar e mais tarde o regime de Castro, e ai ficaram confinados no país, onde a prole aumentou ainda mais com o nascimento de Evangelina,  noticias recentes (Ver "Noticias de Cuba Sobre os Ramos Lafuente",  neste blog) nos dão conta que meus avós faleceram aproximadamente em 1927, pois conforme informações quando ocorreu Evangelina tinha 10 anos, Encarnacíon de algum modo imigrou  para os Estados Unidos casou-se e faleceu em 1987, Evangelina conseguiu retornar com a família para a Espanha em 1980 onde faleceu, e o restante faleceram em Cuba.

Com relação ao  filho Antônio nada se sabe, cabe observar que a imigração para Cuba coincidiu com o ano em que ele completou 18 anos e teria que se apresentar para o serviço militar, documento da prefeitura de Colomera de apresentação para o serviço militar o classificam como "Prófugo", ou seja, não ficou na Espanha pois não se apresentou para o serviço, porém, não foi encontrado informações sobre seu destino, se teria ou não imigrado com a família, o que se sabe e que ele se perdeu pelo mundo.

(*) "Eram tempos em que os espanhóis, fugindo da pobreza, se espalhavam pelo mundo"

Um comentário:

  1. Ótimo relato, Carlos. Esse gosto de "quero saber mais" irá levá-lo adiante, certamente. Estou repassando para Marta seus relatos, pois ela, também, quer saber de vocês.

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